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Tentar minimizar risco de assalto apenas adquirindo equipamentos pode gerar despesa sem garantia de obter segurança

         Jorge Lordello

Quando um síndico de prédio ou gerente de empresa solicita a presença de representante de uma empresa especializada em instalação de artigos para CFTV, está desejando comprar o quê?

  1. a)Produto de segurança eletrônica;
  2. b)Solução visando aumentar nível de segurança

Se o leitor respondeu a resposta “A”, está redondamente enganado.

A intenção do tomador do serviço é solucionar vulnerabilidades, minimizar riscos e trazer aumento real de segurança para o local que administra.

Reflita sobre a seguinte máxima na segurança patrimonial:

Segurança não se restringe a produto e sim a solução!

O equipamento, por si só, agrega muito pouco se não estiver atrelado a um projeto de segurança que analise holisticamente o local a ser protegido.

Um amigo, síndico de condomínio de classe média alta, me telefonou dizendo que estava para contratar empresa para instalar 24 câmeras – e que assim iria satisfazer a vontade da maioria dos moradores.

Imediatamente perguntei:

“Você está comprando câmeras ou uma solução para a segurança do edifício?”

Ele respondeu sem pestanejar:

“Lordello, estou adquirindo as duas coisas”.

Resolvi replicar:

“Será? Você tem certeza disso?”

Ele respondeu afirmativamente e com convicção. Assim, resolvi aprofundar o assunto com várias indagações:

“O vendedor esteve no seu condomínio? Ele tirou fotos? Conversou com o porteiro e o zelador? Como foi o trabalho dele para chegar à conclusão que seu prédio necessita de 24 câmeras?”

O síndico deu a seguinte explicação:

“O  rapaz da empresa que instala câmeras de segurança esteve no condomínio, passeou pelas dependências por cerca de 30 minutos e foi embora. No dia seguinte me mandou o orçamento”.

Minha conclusão deixou-o preocupado:

“O representante da empresa está vendendo equipamentos de segurança mas não vai entregar a segurança tão desejada por todos os moradores”.

Em 2018, de janeiro a abril, 1300 condomínios foram invadidos por bandidos em São Paulo. No mesmo período em 2017 as estatísticas apontam 832 crimes, ou seja, o aumento foi de 56%.

Posso garantir ao leitor que a maioria desses prédios invadidos tinha várias câmeras de segurança instaladas e mesmo assim os crimes ocorreram. Reforçando o objetivo deste artigo, insisti na seguinte afirmativa:

“A instalação de equipamentos de segurança em condomínios, lojas e empresas, sem estudo prévio, pode não trazer o nível de segurança desejado pelo comprador”.

Um dos poucos ramos que conseguiu manter ou até aumentar as vendas foi o de produtos e serviços da área de segurança privada. Minha experiência como estudioso e pesquisador criminal aponta que síndicos em geral aumentaram os investimentos em segurança mesmo em tempo de crise econômica; tanto é verdade, que a maior fatia da despesa condominial é nessa área.

Então, por que o número de invasões não diminuiu se os condomínios, “aparentemente”, estão mais seguros?”.

A resposta é bastante simples.

O trato com segurança patrimonial ainda é feito de forma amadora; geralmente não há estudo, análise de risco e o necessário projeto técnico.

Portanto, síndicos, administradores e gerentes de condomínios residenciais e comerciais, como também empresas, fábricas e comércio em geral, precisam de uma consultoria de segurança antes de pensar em quais produtos de segurança física ou eletrônica adquirir.

Outro ponto fundamental:  o profissional que for realizar a análise de risco não deve estar atrelado à empresa que vai vender ou fornecer os produtos ou serviços de segurança.

Jorge Lordello é especialista em segurança patrimonial e condominial.

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