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Porteiro sequestrado em casa e prédio de luxo/SP assaltado no dia seguinte

 

Quem tem mais de 50 anos vai se recordar que no final da década de 90 quadrilhas fortemente armadas aterrorizavam moradores de prédios de alto padrão com invasões cinematográficas.

A chave para a entrada, sem levantar suspeitas, era sequestrar porteiro ou zelador fora do local de trabalho e manter seus familiares como reféns na própria casa. A estratégia era obrigar o funcionário do condomínio, sob ameaça de assassinato de seus entes queridos, a facilitar a entrada do bando criminoso.

A atuação firme da divisão antissequestro da Polícia Civil/SP na época, gerou a prisão de vários integrantes dessas quadrilhas e essa modalidade criminosa cessou e nunca mais se ouviu falar.

A péssima notícia, é que ao que tudo parece, a onda de sequestros de funcionários de condomínios está voltando. No último sábado, condomínio de alto padrão no bairro de Higienópolis, com unidades com mais de 220 metros quadrados, foi invadido e vários apartamentos assaltados por mais de 10 criminosos armados.

Mas como foi o modus operandi da quadrilha?

Inicialmente, marginais renderam uma  funcionária que trabalha na portaria desse condomínio de luxo em sua casa, em uma comunidade na Zona Sul/SP, juntamente com seus familiares. Permaneceram com ela até o dia seguinte para facilitar a entrada do grupo criminoso no edifício. Foi obrigada a se apresentar no portão de pedestres do condomínio e dizer ao porteiro que a ajudasse, pois estava com uma das pernas machucada, o que dificultava a locomoção.

O porteiro, que ia trocar o turno com ela, atendeu à solicitação da companheira de trabalho e saiu da portaria blindada para ajudá-la. Foi nesse momento que foi rendido pelos bandidos e obrigado a retornar à portaria para não levantar suspeitas. O próximo a ser rendido e mantido refém foi o zelador, que foi atraído para a guarita por motivo qualquer e assim foi facilmente dominado.

Com todos os funcionários do prédio dominados e mantidos como reféns na guarita blindada, ficou fácil para os marginais acessarem os apartamentos. Através de estratégias simples, porteiro e zelador passaram a ligar para moradores pré-determinados com o intuito de fazê-los atender a porta da unidade. Assim as invasões foram perpetradas.

Não podemos esquecer que não é raro ter na portaria chave de apartamento de morador aguardando a chegada de empregado doméstico.

A informação extra-oficial é que seis apartamentos foram invadidos e um morador teria sido agredido violentamente. Na hora de ir embora, os bandidos levaram todos os equipamentos de gravação de imagens para dificultar a ação investigativa da polícia civil.

Para finalizar, os funcionários que ficaram rendidos por horas na guarita blindada teriam relatado que os criminosos tinham muita informação confidencial do condomínio e das famílias de vários moradores. Ou seja, após levantamento de dados e vulnerabilidades, promoveram o assalto com base nas falhas na segurança que encontraram. 

Após a criação do PIX em set/2020, o sequestro-relâmpago e a manutenção de pessoas em cativeiro começaram a ser novamente exploradas por criminosos com o intuito de realizar transferência de dinheiro. Esses crimes, que não tinham mais relevância nas estatísticas criminais, agora estão estampados diariamente nas manchetes de todos os noticiários.

Com a volta à vida quase normal, após o período mais crítico da pandemia, a maioria dos índices criminais disparou, trazendo medo e apreensão às pessoas. Tanto é, que passei a receber vídeos de invasões a prédios em São Paulo, quase que diariamente.

Mas será que o sequestro de funcionários de condomínios e grandes empresas como forma de perpetrar assaltos voltará com força total?

Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos.

Não esperem o pior acontecer para tomar as medidas de segurança necessárias que o condomínio vem protelando há anos.

Chega de esconder o sol com a peneira! Segurança condominial deve ser encarada como prioridade a bem da integridade física dos moradores e colaboradores do edifício.

Não precisa ser especialista formado em segurança privada para verificar que em condomínios residenciais e comerciais é comum encontrar equipamentos instalados da forma errada ou até mesmo em posicionamento desfavorável, facilitando, assim, que muitos sejam invadidos por marginais amadores, principalmente menores de idade.

Portanto, fica um alerta aos síndicos e gestores de condomínios residenciais e comerciais para que antes de gastarem em equipamentos físicos e eletrônicos de segurança, que contratem profissional especialista em segurança condominial para que realize análise de risco no local a ser protegido e apresente o consequente detalhamento das melhores soluções em segurança e, principalmente, sem exageros. Esse procedimento evita o risco de se investir em equipamentos e não ter o nível de segurança desejado.

Mas uma coisa é certa, se o condomínio assaltado em Higienópolis/SP no último final de semana, tivesse apenas duas estratégias de proteção aplicadas na portaria, o presente crime não teria ocorrido, com absoluta certeza.

JORGE LORDELLO

Doutor Segurança

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