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Os milionários também sofrem com problemas construtivos

O que aconteceu com o prédio luxuoso e problemático em NY

Problemas construtivos são uma realidade em diversos empreendimentos e dos perfis mais variados. Essa semana, circulou pelos grandes veículos de mídia o caso envolvendo um empreendimento AAA na Park Avenue, em Nova Iorque. O prédio que custou cerca de R$ 17 bilhões para ser construído se revelou um pesadelo para os super ricos que compraram a sua unidade por lá.

Com unidades custando de R$ 54 milhões a R$ 540 milhões, o esperado é que o prédio funcione de forma perfeita, e sem nenhum sobressalto. A verdade, porém, é outra. De acordo com o noticiado pelo NY Times, os moradores têm uma extensa lista de reclamações, como: vazamentos ininterruptos, e consequentes danos que a água causou, danos mecânicos, problemas no funcionamento dos elevadores, barulhos recorrentes, explosões elétricas, ruídos e vibrações incessantes e sem aparente explicação. Vale ressaltar que o prédio foi entregue há cerca de seis anos.

Como se vê, nem os super ricos estão livres de problemas construtivos. E não são poucos estes problemas. Somados, chegam a 1.500 as questões construtivas problemáticas do 432 Park Avenue, o nome do empreendimento, identificados por uma junta de engenheiros contratada pelo conselho do prédio.

Essas questões serão levadas à Suprema Corte do Estado de Nova Iorque e já representam o montante de R$ 670 milhões – e que ainda pode aumentar.

Uma nova leva de estudos, porém, pode demonstrar que a grande maioria dos problemas pode estar ligada a fatores bastante estruturantes: os cerca de 426 metros de altura do edifício. O que estudos preliminares têm mostrado é que muitos dos materiais e tecnologias empregados à época da construção não eram os mais indicados para um arranha-céus do tamanho desta edificação – o que só se descobriu mais recentemente.

Mas em se tratando de arranha-céu ou não, infelizmente não é raro que edificações apresentem problemas após a entrega, como explica o engenheiro especializado em patologia das construções Felipe Lima.

“É bastante comum, e independe do perfil do empreendimento. Sempre que a construtora entrega o prédio, há coisas que não são possíveis de se prever, como a conformação da edificação, as estruturas que não estão sendo utilizadas, tubulação de água e esgoto que foram construídas, mas ainda não estão em uso”, exemplifica Lima.

Isso significa que, geralmente, há espaço para melhorias e para “descobertas” assim que os empreendimentos são entregues. Nem todas as situações, porém, podem ser explicadas por este argumento.

“Realmente é injusto, um prédio deste valor com material e tecnologia de baixa qualidade”, aponta Lima.

Os milionários também sofrem com problemas construtivos

Direitos dos compradores

E não é apenas no Brasil que compradores têm direito à garantia de construtores e incorporadores.

“Nos EUA, no geral são dez anos de garantia. Como aqui, porém, alguns prazos são menores, dependendo do material. Lá, a lei, varia de estado para estado, já que quase todos os estados têm legislação de direito material própria”, aponta Alexandre Marques, advogado especializado em condomínios.

Há, também, outra questão espinhosa: muitos destes milionários estão em dúvida se realmente querem entrar em uma briga judicial com a construtora e com a incorporadora, uma vez que uma enxurrada de ações do tipo deve impactar negativamente no valor do imóvel.

A reportagem no NY Times também tocou neste tema: os mesmos problemas estão acontecendo em prédios tão altos como o 432 Park Ave, mas com menos barulho – justamente para que o valor das unidades não seja impactado.

O 432 Park Avenue em Números:

  • 425,5 metros de altura – o prédio residencial mais alto do Ocidente
  • 104 apartamentos
  • 96 andares
  • US$ 16,9 milhões e US$ 82,5 milhões é quanto pode custar uma unidade
  • 2 .787 m² destinados às áreas comuns que vão desde sala de cinema e restaurante privativo a piscinas aberta e fechada.
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