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Ética e sindicatura profissional

 

A difícil tarefa de ser um estranho comandando a vida na casa dos outros

Ética e sindicatura profissionalSou síndica há 31 anos e sempre fui fascinada pela possibilidade de auxiliar muitas pessoas exercendo essa função. Poder organizar, deixar bonito, criar condições para  que todo mundo possa curtir e usufruir  daquilo que pertence a todos. Tarefa árdua e muito trabalhosa, claro. Mas que,  no fundo,  dá realmente certo?

Mas claro que sim! Quando nossos valores são autênticos tudo prospera, e disso podemos ter certeza. Há, porém, um aspecto muito curioso no exercício dessa função: a disposição para atuar de forma isenta deve ser algo intrínseco da personalidade do síndico. O poder transforma as pessoas, mesmo quando ele é pequeno. Generosidade, compreensão, educação e empatia são características que dificilmente consegue-se fingir por muito tempo.  Dessa forma é comum que propostas iniciais, por vezes eleitoreiras, não se concretizem e pelo contrário, se transformem em atos de tirania e arbitrariedade.

Então chegamos num aspecto pantanoso dessa discussão: o cargo de síndico é na verdade um cargo político e dessa forma é natural que atraia para a disputa candidatos com diferentes plataformas de trabalho.

Até aí perfeito, afinal  o síndico é eleito por um processo democrático e, dessa forma, claro que será eleito pela maioria a qual estará alinhada com as propostas de seu candidato. Natural que, se houve uma disputa, o eleito não agradará a todos. Mas se esta pessoa eleita atuar  de forma ética, haverá a possibilidade de que todos possam viver de forma agradável e segura, inclusive aqueles que não o elegeram. Afinal de contas, o síndico não ocupa esta função para fazer a vontade de ninguém. Ele foi eleito para fazer o que é certo, independente de quem ele venha agradar ou desagradar. E claro, para isso ele tem de muitas vezes,  tomar decisões impopulares, pois compete a ele ser justo e imparcial.

Tarefas nada fáceis, principalmente quando se faz parte da comunidade que se comanda. Nesse sentido temos um ponto super positivo para atuação de um síndico profissional, pois as pressões sobre a pessoa do síndico serão sempre mais suaves, afinal, é sempre mais difícil cortar na própria carne. Aprovar um rateio que ele mesmo terá dificuldades de pagar ou ter de penalizar um amigo ou ente familiar podem ser atos bastante dolorosos para algumas pessoas.

O ponto então é esse, se vc não pode ser ético, justo, imparcial, educado e empático não seja síndico. Não é que vai dar errado, aliás temos muitos exemplos de representantes políticos que não possuem nenhum desses adjetivos e estão atuando mundo afora há anos. Mas talvez por isso mesmo que ainda vivamos tantos flagelos e tenhamos tantas desigualdades e impunidade.

Assim, senhor síndico ou candidato a síndico, pense que responsabilidade e que desafios o aguardam. O senhor ou a senhora terão de tomar decisões difíceis e imparciais. Saberão de histórias por vezes de telenovela e não poderão espalhar fofoca ou falar mal de seus condôminos.  Correrão o risco de  serem xingados, humilhados e não poderão revidar da mesma forma. Terão de zelar pelo bem estar todos, incluindo de seus  adversários políticos. Sim quase o exercício da santidade, realmente algo complexo de se fazer, tarefa para poucos.

Para finalizar, aponto que recentemente tenho  observado que muitas pessoas estão sendo atraídas para o cargo de síndico por dois motivos: pela atração financeira e pela proliferação da síndrome do pequeno poder.

Se continuarmos nessa vertente, lamentavelmente imagino que logo  o mercado correrá o risco de ficar repleto de profissionais com falta de qualificação técnica e moral para exercer um cargo tão importante.

Devemos ter em mente que  o síndico e a pessoa que tem a chance de, atuando de  dentro para fora, ou seja de à partir das células condominiais, possibilitar a convivência salutar de pessoas. O coletivo começa no microcosmo de nossas relações de vizinhança, as quais, se saudáveis, podem ultrapassar muros e ajudar, tijolinho por tijolinho, quadra por quadra na construção de uma sociedade mais igualitária e gentil.

Lígia Ramos é síndica profissional, arquiteta e bióloga.

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