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Conflitos em condomínio : o que o síndico deve fazer?

 

Muito se fala a respeito de mediação de conflitos dentro dos condomínios, mas entendo que, para tratarmos do tema proposto, devemos entender a dinâmica do conflito.

Vejamos através das lentes da psicanálise que pondera o conflito como característico do ser humano, e isto em diversas perspectivas.

O conflito entre o desejo e a defesa, conflito entre os diferentes sistemas ou interesses, conflitos entre as pulsões, e pôr fim ao conflito edipiano, onde não apenas se confrontar-se desejos antagônicos, mas onde estes encaram a interdição.

Gosto da definição de Cortella, que “Na vida, o conflito é bom, o confronto jamais”. Conclui exemplificando que “não se deve tentar ensinar um porco a cantar, você vai ficar exausto, e vai irritar o porco”.

A sindicatura pode ser complexa, pois o bom síndico, além de habilidades técnicas, deve ter inteligência emocional para gerir os colaboradores, prestadores de serviços, condôminos e, ser capaz de desenvolver seus liderados atendendo expectativas, e tudo isso sempre alinhando com os interesses do empreendimento, sem se anular diante do outro.

Já presenciei falas de condôminos, do tipo: “aqui é um inferno”, “só mora louco aqui”, “não vejo a hora de ir embora”. Ou “não participo das assembleias, só tem briga”.

O bom gestor deve buscar compreender através da ciência. Como o indivíduo é constituído diante de grupos, assim terá ferramentas para lidar em situações de grandes confrontos, e saberá conduzir o conflito, de forma que se torna um espiral, tendo a evolução para a harmonia da massa condominial.

Ressalto que residir ou ser gestor de condomínios requer uma elasticidade frente ao outro. Afinal é um ambiente coletivo, que irá demandar da perspectiva do outro sempre, nascendo aqui a dinâmica do conflito, que irá demandar de exercício de empatia, respeito e comunicação extremamente assertiva, para não evoluir para o confronto.

Lembramos que a população de condomínios é uma população muito heterogênea. Então, tem tudo que temos na sociedade.

Conflitos em condomínio : o que o síndico deve fazer?Voltando a enxergar, agora pelas lentes da psiquiatria, Pichon Rivière escreve: “O sujeito não é só um sujeito relacionado, é um sujeito produzido. Não há nada nele que não resulte da interação entre indivíduos, grupos e classes”.

Isso significa que o sujeito nasce com uma carência, sendo projetado no outro, e quando não atendido, causa a frustação.

Certa vez, assisti uma entrevista do padre Lancelotti, que verbalizava: “Falam que moradores de rua são muito agressivos. Eu respondo, é porque você nunca participou de reunião de sorteio de vagas de garagem de condomínios. Aí vocês saberão de fato quem são agressivos: PESSOAS!”

Somos pessoas que, em nossa estrutura psíquica, constitui um ser de necessidades.

Poderíamos dizer que toda motivação e ação humanas acontecem na busca de satisfação de tais necessidades, que quando contentadas gerarão outras necessidades e assim consecutivamente.

Mas não podemos esquecer que “onde tem pessoas, existe poder!”. Desencadeando aqui para teia política, que deixo para dialogarmos em outro momento, sobre esse viés.

Comungo da leitura de Leandro Karnal, que conviver é um exercício de controlar o “EU”, e deixar o outro existir.

Acredito que esteja questionando sobre a pergunta do início do artigo: Conflito, o que fazer? Eu aprendi uma senha para conviver com a massa condominial: o olhar.

Você tem que conseguir captar o olhar… ler com os olhos deles o que eles estão dizendo. Veja, eu falei: ler com olhos deles e não com o meu olhar, pois somos viciados em muitas coisas: racismo, machismo e principalmente a ser juiz do outro. Esse é primeiro aprendizado de um gestor de empreendimento, a descontruir-se para construir.

Gosto do pensamento de Rubens Alves que, como uma roupa, cai muito bem para aquela reunião de conflito, que permeia na sindicatura e responde minha provocação.

Alves defende que o que as pessoas mais desejam é alguém que as escute de maneira calma e tranquila. Em silêncio. Sem dar conselhos. Sem que digam: “Se eu fosse você…”A gente ama não é a pessoa que fala bonito. É a pessoa que escuta bonito. A fala só é bonita quando ela nasce de uma longa e silenciosa escuta”.

*Jailma Araujo de Brito é psicóloga clínica e síndica profissional SP

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