A vida em condomínio e os desafios para 2022

 

Faltando poucos dias para mais uma virada de ano, alguns dos maiores desafios e oportunidades para os gestores estarão relacionados às mudanças e aos efeitos colaterais causados pela pandemia da COVID 19. Mas afinal, como será o amanhã? A pandemia trouxe para a vida de todos não só uma grande incerteza sobre o futuro, mas também sobre o hoje.

O mundo tem passado por uma constante transformação e acompanhar as tendências é um dos maiores desafios para os gestores em diversos aspectos: Como lidar com as novas inclinações tecnológicas que serão cada vez mais presentes nos condomínios? Quais habilidades são necessárias para gerir o aumento dos conflitos entre os moradores oriundos do período de isolamento? O que faremos para retomar a vida nos condomínios sem comprometer a segurança dos moradores? Quais serão os efeitos desta pandemia na forma que o síndico trabalha e nas rotinas condominiais? Como equilibrar o orçamento e a saúde financeira, lidando com a inadimplência e com os imprevistos?

Neste artigo, compartilharei minha visão sobre as tendências para 2022 na área condominial. Vamos falar dos reflexos da pandemia nessas novas propensões e o que vêm sendo cada vez mais pedido e valorizado pelos clientes.

Em 2022, a pandemia ainda será um fato na vida de todos e este cenário exige cada vez mais dos gestores o desenvolvimento de certas habilidades e competências específicas tornando-se fundamental profissionais que investem mais em uma formação multidisciplinar, buscando sempre aperfeiçoar seus conhecimentos.

Neste contexto, o síndico deve se tornar um agente de transformação dentro dos condomínios, pois tem como missão neste próximo ano acompanhar as tendências de forma a trazer planejamentos mais eficientes, melhores resultados, maior agilidade nos processos internos, mas ainda com a missão de manter o controle do vírus nas áreas comuns e retomar a rotina do condomínio, mas sem comprometer a segurança dos moradores.

As novidades que vieram para ficar vão cada vez mais mudando o estigma do síndico que trabalha com seu “caderninho” e faz reunião na portaria com os moradores. Nesta nova realidade as reuniões virtuais ou híbridas nos condomínios se tornam cada vez mais comuns e demandam familiaridade com tecnologias e habilidades com aplicativos e plataformas diversas, os novos modelos de entregas e delivery exigem do condomínio processos mais eficientes e um maior controle de entrada e saída de visitantes.

A diminuição do poder aquisitivo trouxe uma predisposição por orçamentos mais enxutos e a diminuição de custos com pessoal, optando-se por novas tecnologias e a implantação das portarias virtuais. Por outro lado, com o empobrecimento da população e o desemprego, temos como consequência o aumento da violência que demanda maiores investimentos em sistemas segurança e alarmes para os condomínios.

Destacamos nesse contexto a importância do domínio das plataformas para reuniões online como Zoom, Google meeting etc., e que os síndicos passem a se estruturar tendo aparelhos de som, projetores etc..

Se o síndico puder criar e prover ao condomínio toda essa estrutura através da sua própria empresa, certamente vai impressionar os seus clientes condôminos. Também ressalto a importância do síndico estar familiarizado com programas como Pacote Office onde destacamos o Word para confecção de relatórios e documentos em texto, o Power Point para criação de apresentações e relatórios, o Excel para controle financeiro e confecção de planilhas de controle e o Access para criação de banco de dados e organização das informações do condomínio.

Os sistemas de gestão para condomínios, e síndicos também, se tornam cada vez mais populares e trazem um grande diferencial para o atendimento aos moradores.

A pandemia também nos mostrou o quanto é importante mantermos os documentos do condomínio digitalizados e realizarmos o backup em nuvem. Para os usuários de nível mais avançado, também passam a se destacar profissionais que buscam conhecimento em designer gráfico ou web design, síndicos que buscam conhecimentos em programas como o Adobe podem também utilizar programas como Photoshop, Illustrator, Indesign para melhorar suas comunicações dentro do condomínio e criar identidades visuais que agregam valor e reforçam a sua marca.

Viver em condomínio é viver em comunidade. Compartilhar o mesmo espaço com pessoas de diferentes histórias de vida, estilos de vida, valores, classes sociais e rotinas variadas.

Em um cenário de incerteza, o impacto causado nas relações sociais com o isolamento só adicionou ainda mais desafios para a vida condominial. Para o síndico atravessar esta jornada de forma saudável, sem dúvida, o melhor caminho é o da empatia, respeito e amor ao próximo.

A base do sucesso da convivência é o equilíbrio e a saúde mental, quanto melhor estamos com nós mesmos, melhor convivemos com os outros.

São diversos os efeitos colaterais oriundos do isolamento e os síndicos devem estar preparados para escutar, compreender e tentar conduzir as situações e problemas de forma conciliadora. Ao mesmo tempo, ser síndico não é uma posição fácil,  não estaremos sempre agradando a todos. Muitas vezes é preciso saber se posicionar e o síndico precisa cumprir as suas funções agindo em prol da coletividade.

Com a diminuição das medidas de isolamento, há uma tendência aos condomínios voltarem às suas rotinas normais de uso das áreas comuns, como salão de festas e espaços gourmet, parquinhos, piscinas, academias, entre outras áreas que voltaram a ser frequentadas por cada vez mais moradores.

É importante que o síndico encontre o equilíbrio entre retomar as atividades do condomínio, mas sem deixar de cumprir as medidas de segurança e tomar os devidos cuidados. Aprovar regras e medidas de segurança em assembleia parece ser a melhor alternativa para que o síndico tenha mais respaldo para aplicar medidas de prevenção como limite de pessoas nas áreas comuns, utilização de máscaras etc.

Os efeitos da pandemia reforçaram a necessidade do síndico cada vez mais precisar se estruturar como empresa e de contar com apoio de uma equipe multidisciplinar para atender esses novos desafios.

A cada dia que passa surgem novas legislações e entendimentos jurídicos que atribuem cada vez mais responsabilidades para os condomínios e os síndicos. Neste contexto surgiram novas legislações para o combate à violência doméstica, maus tratos de animais etc.

Novas decisões surgiram também a respeito do Airbnb em condomínios, tema que ainda causa muita polêmica no meio condominial e tem sido cada vez mais temido para os condomínios que preferem, por decisão da maioria, se manter com práticas de isolamento social.

Entretanto, esse profissional multitarefas, além de se preocupar com todas essas questões, ainda tem a difícil tarefa de manter o condomínio com um orçamento equilibrado e boa saúde financeira.

A base para um orçamento equilibrado está na realização de uma previsão orçamentária bem elaborada, prevendo todos as receitas e despesas do condomínio, com as separações das contas e rubricas bem definidas e de forma clara e com uma margem de previsão para inadimplência de acordo com o histórico do condomínio.

A partir de um orçamento bem planejado, as medidas para redução dos custos são essenciais devendo o síndico avaliar os pontos possíveis de economia do condomínio.

Com a chegada do fim do ano, aproveite para implantar estratégias que podem ser muito benéficas para o seu resultado financeiro, como:

  • Incluir na previsão orçamentária as cotas de 13° e férias dos funcionários dividindo em parcelas que podem ser rateadas pelos próximos 12 meses.
  • Após a definição da previsão dos gastos, é importante provisionar as receitas e acrescentar um percentual que será a inadimplência (é importante conhecer o histórico de inadimplência no condomínio para se definir este percentual).
  • É saudável deixar uma margem, a famosa “gordurinha” no orçamento, assim qualquer eventual despesa poderá ser suprida.
  • Promova algumas atitudes, muitas vezes simples, mas que também podem fazer diferença no resultado, como a renegociação de contratos, medidas de contenção de custos com economia de água, luz e gás.
  • Pondere a possibilidade de não embutir o valor das contas das concessionárias na cota condominial, fazendo um rateio a parte do valor a ser pago. Isso fará com que os moradores visualizem melhor o seu consumo, além de minimizar o risco de furar a sua previsão com uma possível variação de valor do consumo, podendo até levar o condomínio a um déficit orçamentário.
  • Quando a previsão orçamentária realizada não conseguir cumprir o orçamento, é importante que o síndico ajuste o orçamento e aprove uma nova previsão orçamentária em assembleia.

Lembre-se que aquelas promessas de final de ano estarão fadadas ao fracasso se não forem realmente bem planejadas.

*Karine Prisco é síndica profissional no Rio de Janeiro

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